i found god on the corner of 1st and amistad

Domingo passado (também conhecido como Ontem) minha vó me arrastou pra missa, e isso me levou a vários pensamentos de natureza filosófica.

Na infância eu tive uma criação moderadamente católica. Escola católica, vovós católicas, conhecia as mais belas histórias da bíblia e tudo. Fui queridinha das professoras da catequese, mas já naquela época eu estava começando a ter idéias e a “filtrar” o que me passavam. Com o tempo eu me distanciei mais e mais da vida católica. Hoje em dia minhas maiores experiências religiosas no sentido mais tradicional vêm de sessões de yoga e meditração num centro harekrishna aqui perto de casa.

Sinceramente? Acredito que se existe deus, ele me ama. Creio nisso simplesmente porque é impossível pensar que alguém me daria uma vida tão feliz como a minha se não me amasse.  Acredito que se existe paraíso, os meus amigos vão pra lá- porque um paraíso sem eles seria uma contradição. Fé para mim não é o que eu tenho quando ajoelho bonitinha ouvindo um padre, é o que eu sinto quando me dou conta que estou exatamente no lugar do mundo onde devo estar. Alma é aquilo que quase me escapa pela boca quando contemplo o pôr-do-sol de domingo sobre a redenção. Devoção é o que me acomete quando converso com meus queridos amigos. Celebrar a vida, distribuir carinho, descobrir o que é bom, amar, é a minha forma de rezar.

A minha instrutora de yoga e eu conversamos bastante sobre espiritualidade. Eu não concordo com tudo que ela diz, mas há um ponto principal que sempre que eu penso me surpreende como é verdadeiro: ela diz que toda a nossa felicidade vem de estarmos num estado de conexão. Toda nossa felicidade vem de nos sentirmos parte integrante (de um grupo, de um momento, de um lugar, de um espírito). Esse estado pode ser atingido por qualquer motivo; eu posso estar lavando pratos em um estado de conexão, e se eu estiver, então lavar pratos vai ser uma alegria pra mim. Houve um tempo em que os rituais cristãos me colocavam nesse estado; hoje não mais. Mas eu entro nele quando ouço uma música boa, quando ando pela fabico, quando vejo os índios tocando na redenção, quando tomo sorvete, quando a noite cai do lado de fora do meu quarto, quando a chuva me dá vontade de rir, quando me apaixono, quando ponho uma roupa bonita, quando respiro fundo, quando escrevo.

Deus eu não sei se existe, mas vida existe e é a vida que eu idolatro.

Uma resposta para “i found god on the corner of 1st and amistad”

  1. daidavid diz:

    Sabe aquele livro “Comer, rezar e amar”? Pois então, não sei se você já leu, mas a questão da busca da nossa espirtualidade está presente do começo ao fim dele. E o seu post me fez lembrar de uma frase que a autora cita, que foi dita a ela por alguém de que não me recordo agora, e que combina bastante com o que foi dito aí em cima. E é a seguinte: “Deus está em nós. Como nós”
    Eu acredito nisso. Não precisamos ir a rituais para sermos amados por Ele, podemos ter nossos próprios rituais, sejam eles escrever ou abraçar alguém.

    Beijo, Lu!


Deixe uma resposta